Atendimento
educacional escolar de pessoa com surdez
A
educação escolar da PS desde primórdios até os dias atuais tem se mostrado
tendenciosa entre as correntes: gestualista, que defende o gestual como forma
mais adequada e oralista, que privilegia a oralidade como marco principal de
educar uma pessoa com surdez, mas tanto uma como a outra negam a integralidade
do ser humano que possui uma limitação sensorial auditiva e não deve ficar
aprisionado na ausência de um dos sentidos, para Damázio e Ferreira (2010), a
pessoa com surdez não é deficiente:
“Não vemos a
pessoa com surdez como o deficiente, pois não o é, mas tem perda sensorial
auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa
função perceptiva. Mas, por outro, há toda uma potencialidade do corpo
biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos
perceptuais tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência, pensamento e
linguagem”.
Assim, a educação escolar da
pessoa com surdez não deve ser focada na perda auditiva, mas no potencial
humano a ser desenvolvido, ou seja, a perda não é o mais importante, mas sim o
ser humano com suas potencialidades, dizendo de outra forma, a educação do ser
humano deve enfatizar outras percepções humanas como a cognição, o pensamento e
a linguagem. Desta forma a educação desse aluno não deve ser pautada na língua
em si, mais na pessoa que a escola está recebendo, devendo ser considerado suas
especificidades, necessidades e principalmente sua capacidade de produzir
conhecimento.
Ao ser matriculado o aluno
com surdez na escola comum, deve-se levar em conta não apenas a integração deste
a uma turma, a escola deve em primeiro lugar acolher as suas diferenças diante
da diversidade, cada um com suas características próprias que os tornam únicos
a fim de promover aprendizagens significativas e reais a todos que nela se
encontram e incluindo de fato o aluno com surdez que necessita de atendimento
educacional especializado, haja vistas, que a Política Nacional de Educação
Especial na perspectiva inclusiva objetiva assegurar a inclusão escolar de
alunos com deficiência, TGD e altas habilidades/superdotação, cabendo a mesma
orientar os sistemas de ensino.
Para a educação escolar da pessoa com
surdez, no Brasil a partir do Decreto 5.626 de 5 de dezembro de 2005, é
obrigatória a educação bilíngüe, ou seja, o sistema de ensino deve ofertar: o
ensino escolar na Língua Portuguesa e na Língua de Sinais (LIBRAS). A Língua Portuguesa
como segunda língua na modalidade escrita e a LIBRAS como primeira língua, sendo
que as mesmas devem ocorrer simultaneamente e colaborativo no ensino escolar
para o PS. É diante desse contexto que AEE deve atuar como um grande articulador
de todo esse processo, sem se deter nas partes, mas envolver e mobilizar a
todos implicados nessa prática educativa. Segundo Damázio e Ferreira (2010), “o
AEE PS precisa ser pensado em redes interligadas, sem hierarquização de
conteúdos, sem dicotomizações, reducionismo; mas como uma ação conectada entre
o pensar e o fazer pedagógico”.
Por fim, os autores
defendem que a aplicabilidade do fazer pedagógico inclusivo para a PS deve está
pautada na Pedagogia Contextual Relacional, partindo do pressuposto as relações
sadias entre o ser e o meio, possibilitam vivências contextuais que contribuem
para evolução e aprendizagem do aluno com surdez e tendo o AEE PS papel
fundamental na efetivação dessa prática inovadora e necessária na escola comum.
Referências:
BRASIL, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional
de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. MEC/SEESP, 2008.
Disponível em <http:// www.prppg.ufc.br>.
Acesso em: 05 mar. 2014.
Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo
05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional
Especializado em Construção, p. 46-57. Disponível em <http:// www.prppg.ufc.br>. Acesso em: 05 mar. 2014.
Francisca,muito boa a reflexão. Gostaria de ressaltar aqui a importância da organização do espaço escolar para que o aluno com surdez possa extrapolar o espaço de sala de aula, através de experiências concretas com a realidade estudada, portanto é imprescindível a realização de aulas-passeio que garantam a exploração da experiência visual.
ResponderExcluirAtt.
Reginalva