“O
modelo dos modelos”
Italo
Calvino
Houve
na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra
era
esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito,
lógico,
geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta
aos
casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às
correções
necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..] Mas
se
por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura
geométrica
desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus
olhos
uma paisagem humana em que a monstruosidade e os
desastres
não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho
surgiam
deformadas e retorcidas. [...] A regra do senhor Palomar foi
aos
poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade
de
modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um
procedimento
combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse
melhor
a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas
realidades
distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as
coisas,
o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir
para
obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de
aranha;
talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo
para
dissolver-se a si próprio.
Neste
ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos
e
os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que
ele
se depara face a face com a realidade mal padronizável e não
homogeneizável,
formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus
“mas”.
Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça
desembaraçada,
mobiliada apenas com a memória de fragmentos de
experiências
e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não
é
uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais,
mas
é a única que lhe parece praticável.
É
diante dessa realidade dual com modelos perfeito e imperfeito, que
encontra-se a escola comum, nela os alunos ditos “normais” se
enquadram no modelo perfeito, o esperado, o bem aceito, já aqueles
que vem subverter essa ordem são visto como anormais, aqueles que
mesmo antes de demonstrar suas habilidades, muitas vezes são taxados
como alunos que não aprenderão naquele espaço, logo esses que
compõem o modelo “imperfeito” necessitam de centros especiais
para aprender.
No
Brasil a Constituição Federal de 1988 em seu Artigo 206, Inciso I,
assegura que “o ensino será ministrado com base nos seguintes
princípios: igualdade de condições para o acesso e permanência na
escola”, ou seja, não poderá ter modelo privilegiado na educação
brasileira, haja vista que todos teem o direito de aprender, a
diversidade passa a ter oportunidade na escola comum. No que tange a
Politica Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação
Inclusiva os alunos que com deficiência, transtorno global do
desenvolvimento e os com altas habilidades/superdotação tem como
objetivo garantir o direito a inclusão escolar desses alunos.
Desta
forma o Atendimento Educacional Especializado se constitui uma das
importantes estratégias que corroboram com a inclusão escolar dos
alunos com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e os
com altas habilidades/superdotação na escola comum, é através
desse atendimento que o público alvo terá de fato oportunidades
pedagógicas e também de acessibilidades que facilitarão a
participação e desenvolvimento pleno do sujeito, que antes era
visto como modelo “imperfeito” incapaz de aprender, agora após
essa visibilidade, passa ser repeitado as limitações e
potencialidades de aprendizagem daquele que chega a escola, não é
exagero dizer todos são capazes de aprender, o que é preciso, fazer
investimento nas possibilidades e especificidades de cada um.
Sendo
assim, não há modelos prontos e nem tão pouco perfeitos!